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Cientistas transformam resíduos da mineração em blocos semelhantes a tijolos maciços.

  30/01/2019
 

Um ano e oito meses depois do estouro da barragem de Fundão na cidade de Mariana (MG), pesquisadores e cientistas trabalham em projetos para transformar as toneladas de rejeitos de minério despejadas nos cursos d’água em matéria-prima para uso na construção civil. O fluxo da lama devastou o distrito de Bento Rodrigues, seguindo pelos rios Gualaxo e Doce, afetando diversos municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, até atingir o Oceano Atlântico.

 O pesquisador Fernando Soares Lameiras, do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear, coordena o grupo que transforma resíduos da mineração em blocos semelhantes a tijolos maciços. A proposta, além de ajudar o meio ambiente, tem cunho socioeconômico. A intenção é que, após a conclusão dos estudos, empresas interessadas em produzir as peças se instalem nas proximidades dos leitos.

 De um lado, isso permite redução no custo de fabricação. De outro, fomenta vagas de emprego em regiões onde a tragédia socioambiental levou ao fechamento de vários postos de trabalho. Mayare de Souza, mestranda em Engenharia de Materiais e integrante da equipe Fundepar – empresa de investimentos da Fundep -, participa do grupo e acrescenta que o projeto pode usar também resíduos acumulados em outras barragens. Na prática, haveria a redução do volume de rejeitos nas represas, uma vez que o material seria retirado para ser transformado em blocos, diminuindo assim o risco de estouro como o que derrubou os diques de Fundão.

 “A manutenção das barragens tem um custo alto para as mineradoras. A ideia é usar os tijolos para alvenaria e ladrilhos para pavimentar calçadas”, informa Mayare, acrescentando que a barragem da usina de Candonga, no município de Rio Doce, concentra boa parte dos rejeitos que saíram de Fundão. Candonga está a quase 100 quilômetros de Mariana. O paredão da estrutura impediu um estrago maior, pois impediu que toneladas de troncos de árvores e outros objetos avançassem em direção ao Atlântico.

 Mayare explica, ainda, que os resultados do projeto são animadores. “Os blocos apresentam boas características, como resistência à compressão e alto índice de absorção de água, o que proporciona uma estrutura que facilita o escoamento da água de chuva”. Segundo a mestranda, a mineradora Samarco, responsável pela barragem de Fundão, está apoiando o projeto, doando meia tonelada de material do fundo da bacia do Rio Doce. “Estamos descobrindo novos insumos para adicionar aos resíduos de minério e compor a mistura dos tijolos. Temos muito trabalho pela frente”, afirma.



 

A Fundep faz a gestão administrativa e financeira do projeto, realizando atividades como a aquisição de maquinário e as compras de materiais de laboratório e dos compostos químicos para a mistura dos tijolos. O projeto é financiado pela Fapemig, que já lançou duas chamadas públicas para propostas com foco na recuperação da Bacia do Rio Doce. Na primeira, foram destinados R$4milhões a 29 projetos. Na segunda, em parceria com outras instituições, R$ 11 milhões a 15 propostas. Todas estão em desenvolvimento e a expectativa é que as soluções sejam revertidas em tecnologias e processos que poderão ser usados pela população.
O estouro de Fundão é considerado o maior desastre sócio ambiental do Brasil. O tsunami de lama matou 19 pessoas, entre funcionários da Samarco e moradores de Bento Rodrigues, causando um estrago irreparável à natureza. De acordo com ambientalistas, mais de 100 nascentes foram soterradas pelas toneladas de rejeitos de minérios, que devastaram flora e fauna.
Com informações do Estado de Minas

A Fundep faz a gestão administrativa e financeira do projeto, realizando atividades como a aquisição de maquinário e as compras de materiais de laboratório e dos compostos químicos para a mistura dos tijolos. O projeto é financiado pela Fapemig, que já lançou duas chamadas públicas para propostas com foco na recuperação da Bacia do Rio Doce. Na primeira, foram destinados R$4milhões a 29 projetos. Na segunda, em parceria com outras instituições, R$ 11 milhões a 15 propostas. Todas estão em desenvolvimento e a expectativa é que as soluções sejam revertidas em tecnologias e processos que poderão ser usados pela população.

 O estouro de Fundão é considerado o maior desastre sócio ambiental do Brasil. O tsunami de lama matou 19 pessoas, entre funcionários da Samarco e moradores de Bento Rodrigues, causando um estrago irreparável à natureza. De acordo com ambientalistas, mais de 100 nascentes foram soterradas pelas toneladas de rejeitos de minérios, que devastaram flora e fauna.

Com informações do Estado de Minas